Arquivo paraMarço, 2008

Free! Meu companheiro de caminhadas.

Andando pela rua com minha bolsa, meu all star e meu caderno repleto de recortes, estava distraída e ia para a faculdade. Sem relógio, caminhava calmamente, despreocupada com o horário em que chegaria à aula de Direito Penal. Sabia que chegaria a tempo de assistir à essa aula, de uma de minhas matérias preferidas.
A música “Os Outros” permanecia em minha cabeça e eu olhava as pessoas através de meus olhos quase cobertos pela franja. Enquanto seguia em direção ao canal 05, por uma extensa avenida, um cachorro cruzou-me o caminho.
Era um cachorro grande e seria bonito se fosse bem cuidado. Ele era alto e sua cabeça encontrava-se na altura de minhas coxas, sem que ele retirasse suas patas do chão. Era marrom, tigrado e um cachorro de rua. Possuía pequenas manchas beges pelo corpo e eu não ficaria pasma se o cachorro ficasse da minha altura quando estivesse sob suas duas patas.
Atravessava o canal 05 e já tinha avistado aquele cachorro na calçada, pensando comigo mesma: “Será que ele vai me morder?”. Esse medo existia em virtude de uma bela mordida no braço seguida de cinco doses de anti-rábica no mesmo dia, em meu terceiro ano. Em respeito àquele animal que caminhava livre e pomposamente, parei e o encarei, olhando seus carentes olhos sem brilho. O cachorro parou, estudou-me e não fez nada, de modo que eu sorri e continuei em meu caminho, permitindo tacitamente que ele fizesse o mesmo.
Porém, ele me seguiu. Eu disse à ele para ficar, para sair dali… Mas ele continuou me seguindo. Estávamos apenas os dois naquela calçada larga. Ele caminhava ao meu lado, e qualquer pessoa diria que o cachorro era meu. As outras pessoas que vinham nos fazer companhia às vezes, corriam seus olhos curiosas a fim de entender aqueles dois seres que caminhavam em sintonia.
Eu sorria enquanto ele, às vezes, se precipitava à minha frente, exibindo-se. Fingia não estar nem aí e olhava para os carros que passavam na rua, deixando-o triste. Ele então parava e fitava os olhos sobre mim, esperando-me. Eu o olhava pelo canto dos olhos e passava à sua frente, mostrando indiferença. Quando fazia isso, meu companheiro continuava parado, fazendo-me sentir sua falta ao meu lado. Olhava para trás e então ele vinha correndo em minha direção, continuando a caminhar. Posso jurar ter visto um sorrisinho irônico naquele focinho em uma das vezes em que fiz isso.
Dessa maneira seguimos o nosso caminho, que parecia levar ao mesmo lugar. Eu já estava até pensando em um nome para ele, tamanha a consideração que ele me arrancou em apenas alguns instantes. Eu estava feliz e perplexa com aquela situação. Jamais o havia visto, e ele já podia passar por meu! Ele deveria ter um nome forte, que condizesse com seu porte e sua aparência, inicialmente, amedrontadora. Porém, se você conseguisse olhar dentro dos olhos daquele cão, jamais poderia dar-lhe um nome desse tipo. Ele era um doce, extremamente carinhoso e possuía um olhar leal. Free. Livre, como o vento e como ele realmente o era. Era um nome que combinava com ele… Aposto que ele teria gostado.
Quando, finalmente, chegamos ao canal 04, Free esperou-me para atravessar, como sempre. Bastava que eu olhasse para ele, então ele parava, e ficava a esperar que eu fizesse menção a andar. Eu decidi virar no canal 04 e não mais seguir aquela avenida. Free decidiu que iria pela avenida, e atravessou sozinho, depois que eu virei no canal e antes que eu pudesse me despedir. Quando pisou na calçada, seguro, ele virou para trás e olhou-me por alguns instantes, enquanto eu fazia o mesmo, parada do outro lado. Ele percebeu que não iria com ele e virou-se, continuando seu caminho. Eu sorri sozinha, um pouco triste, e continuei caminhando para a faculdade.
A lembrança desse episódio ficará sempre guardada em minha memória, e Free será sempre uma companhia agradável para caminhadas. Esteja ele aonde estiver.

(Insira um título aqui).

Cinza. Era assim que Belo Horizonte se encontrava naquela tarde do oitavo dia de março. As nuvens brancas tentavam sobressair por entre o céu que se tornava cada vez mais escuro. Havia carros passando pela avenida, pessoas caminhando rapidamente, olhando o céu e aguardando pela chuva que não viria naquele dia… E o sábado continuava cinza. Inseridos nesse cenário sóbrio estavam um garoto e uma garota, também cobertos pelo céu acinzentado. Eles estavam de pé numa rua e conversavam sem parar! Havia uma pequena distância entre eles… Distância essa que se tornava menor a cada movimento.
O garoto possuía grandes e escuros olhos azuis e um sorriso brilhante extremamente bonito. Era inevitável perceber seu sotaque mineiro e seu jeito acolhedor, escondido por um ego sempre inflado. O garoto das pintas no rosto sabia exatamente a hora de fazer rir e fazia isso à todo instante. Era criança de tudo, mas sabia conversar e conquistar uma garota. Pelo menos soube conquistar aquela garota paulista.
À sua frente estava uma tímida e avermelhada garota, que escondia suas mãos no bolso de trás da calça enquanto virava seus pés, calçados com um all star, para dentro. Ela tinha um ar esnobe, típico das pessoas do estado de São Paulo, que contrastava com seu jeito simples e carinhoso. Ambos riam da situação.
Qualquer pessoa poderia ver que gostavam um do outro. Era claro que aquele diálogo terminaria em um beijo, mas era delicioso apreciar o jogo de sedução que eles faziam um com o outro. Algumas pessoas assistiam a tudo, olhando disfarçadamente para aqueles dois que não ficavam em silêncio nunca. Era incrível como eles sempre tinham o que falar.
Falavam sobre coisas sem sentido. O garoto sempre fazendo a garota ficar vermelha e olhar para baixo, rindo-se da situação. Uma exímia utilizadora de indiretas, a garota arrancava olhares fixos e penetrantes do garoto… Sem que ela mesma conseguisse sustentá-los.

- Eu gosto da música “Vinte e Nove”, do Legião Urbana. A letra é legal e é o dia do meu aniversário – a garota comentava para depois rir.
- “Estou aprendendo a viver sem você” – o garoto cantava um trecho da música – Mentira! – ele sorria, olhando pra ela.

A cada momento ficava mais difícil manter a boca dos dois separada. Existia algo que os puxava para perto um do outro. E, pelo menos a garota, queria envolvê-lo para nunca mais soltar.

- Ah, minha bobinha! Não precisa ficar sem graça! – o menino dizia sorrindo, enquanto chegava mais perto dela.

Com as bochechas rosadas, a menina respondeu, olhando para ele:

- Por mais que eu queira, não consigo, meu bobinho. Gosto disso e não gosto disso. Entende?– ela desviou o olhar, passando os cabelos para trás de sua orelha.

O garoto analisou-a de perto e em silêncio. Sentou-se na rua com as pernas esticadas, parcialmente dobradas, e os cotovelos apoiados em seus joelhos. Lançou seu carente e azulado olhar para ela, pedindo, ainda que em silêncio, que ela explicasse o que havia dito. Ela sorriu e sentou-se ao lado dele, entendendo o que ele quis dizer.

- Entender sem não entender é uma arte milenar, sabia? – a garota sorria e olhava para ele. “Como ele podia ser tão perfeito?”, ela pensava.
- Ah, bobinha! Senta mais perto de mim, senta? – o garoto sorria enquanto batia a mão no chão, mostrando-lhe o lugar aonde ela deveria sentar.

Sem hesitação, a garota se viu atendendo ao pedido dele.

- Você fica com uma carinha de criança quando sorri, meu bobinho! – a garota apertava a bochecha do garoto, sorrindo.
- Cara de criança?! – ele disse, desconfiado. – Isso é bom? – ele mordeu de leve a mão dela, enquanto ela apertava a sua bochecha.
- É sim e ai! – ela ria enquanto exclamava a última palavra – Ficou a marca, olha só – ela mostrava sua mão que agora estampava um círculo vermelho feito por dentes. – Você não precisa arrancar pedaço de mim… Eu acho. – a garota ria sem parar.
- Deixa de fazer drama! Eu não quero arrancar pedaço, – o menino aproximava-se dela cada vez mais, pegando a sua mão e beijando-a no local da mordida – A menos que você queira que eu tire um pedaço de você…

O garoto respondeu com um sorriso no canto da boca, arrancando mais uma vez a brancura da pele da garota. Ele a encarava de perto e passava as mãos em seus cabelos, enquanto ela podia sentir a respiração dele em seu braço.

- E qual seria o pedaço que você arrancaria? – a garota olhou séria para ele, olhando no fundo de seus olhos azuis, perdendo-se por alguns instantes. Ela sorria ironicamente depois de dizer a frase, agarrando seus joelhos e sentindo o festival que as borboletas faziam em seu estômago.
Ele pensou alguns momentos antes de falar, apenas olhando para ela. O silêncio a deixava sem graça e ela olhava para ele, sorrindo.

– Eu não quero arrancar pedaço, bobinha. Quero fazer outra coisa. – ele se aproximava, olhando para os olhos e para a boca da garota.

Utilizando-se do pouco de coragem que existia dentro dela a garota aproximou-se mais dele, como se fosse ler seu olhar, e disse:

- Ah é? E por que não faz isso, meu bobinho? Conte-me! Eu estou curiosa. – a garota sorriu, dissipando o enrubescer de seu rosto.

O garoto sorriu seu sorriso mais largo e iluminou o rosto da garota. Colocou sua mão no rosto dela enquanto ela fazia o mesmo com ele, acariciando seu rosto com as costas da mão suave da garota. Ele fechou os olhos e encostou seus lábios nos dela. Um riso abafado e o toque do nariz de ambos precederam o beijo.
Suave, tranqüilo. Cheio de ansiedade e de vontade, tornava-se intenso. Ela se deixava levar pelos movimentos do garoto e ele sorria por entre o beijo. As borboletas paravam de voar no estômago da garota, que finalmente estava fazendo algo que tanto esperou para fazer.

- Eu estava tri louquinho para fazer isso, bobinha! Acho que você percebeu – ele sorriu para ela.
- Acho que percebi. – a garota ria vermelha e sem graça.

Passados alguns minutos os dois encaravam-se, felizes. O garoto levantou-se e estendeu a mão para a garota fazer o mesmo. Ele a abraçou, puxando-a pela cintura, mantendo seus corpos unidos. A garota paulista sorria enquanto deitava seu rosto no peito do garoto. Ela poderia ficar ali, debaixo do céu cinza e nos braços do garoto mineiro, para sempre.

Passados alguns dias, a garota paulista voltou para sua realidade praiana. Enquanto assistia à uma aula monótona, sobre o “direito das borboletas”, a garota ria sozinha. Um sorriso bobo estampava seu rosto, acompanhando seu pensamento, preso na tarde cinza do dia das mulheres. Aquele havia sido o primeiro beijo dos dois, e por motivos maiores, foi também um dos últimos.
Ela lembrava-se do dia quatorze daquele mês, quando a chuva não foi a única coisa que molhou seu rosto. Os corações bobinhos de ambos foram separados e eles teriam que viver com a lembrança dos momentos que vivenciaram juntos. Ele fazia isso enquanto olhava para o céu – que havia se tornado azul – de Belo Horizonte, e ela fazia enquanto caminhava sentindo o cheiro do mar – que ele tanto detestava – da praia de Santos.
E então a garota com nome melódico tentava se concentrar na aula que fazia lembrar Minas e olhos azuis. Seguia o conselho do bobinho e ouvia receitas em sua cabeça. Só que naquele momento, tudo… Tudo trazia a presença dele.

Brightest.

“I just know that she warms my heart
And knows where all my imperfections are
And she said that I was the brightest little firefly in her jar”

*Brightest – Beeshop

Rindo com suas amigas, Amelia prestava atenção no movimento do barzinho onde estava. Era um lugar lindo! Luzes coloridas tiravam a escuridão do ambiente e faziam com que todos ganhassem alegres tons de rosa-choque e verde-limão. Seu olhar vislumbra desde os que estão dançando, até os que acabaram de chegar. Ela pára o olhar em Sam por alguns minutos, sem que ele perceba. Havia algo nele que chamava sua atenção e talvez ela descobrisse o que era naquela noite.

Sam percebeu que uma menina estava olhando para ele. Era uma bonita menina. Tinha lisos cabelos castanhos que contrastavam com sua pele alva. Seus olhos eram vivos e sedutores, e sua boca era grande e atraente. Não deveria ser uma menina que chamava muito a atenção dos homens, principalmente com óculos de armação grossa escondendo seus olhos. Mas Sam achou-a um tanto quanto interessante. Isso era mau sinal… Garotas interessantes não davam bola para ele.

- Olá, tudo bem com você? - Amelia ouviu-se perguntando para o menino bonito que acabara de entrar no barzinho. Com a proximidade, Amelia pôde notar que ele tinha uma pinta em seu rosto… “Ficava bem nele”, ela concluiu.
- Oi… Tudo sim, eu acho. – Sam respondeu um pouco assustado com a abordagem. Mas estranhamente feliz.
- Bom, eu vi você entrar aqui sozinho… E você tá com uma cara triste. Se quiser sentar com minhas amigas a gente pode te fazer rir um pouco, que tal? - Amelia disse, enquanto pegava sua mão e o levava junto com ela.
- Acho que você não me deixou escolha. – respondeu rindo. – Mas qual o seu nome? 
- Ah, claro! Meu nome é Amelia, mas pode me chamar de Mia. É como todos me chamam. E, apesar de isso ser um tanto incomum, eu não sou tão louca quanto pareço. – Mia sorriu, deixando um pouco de sua vergonha aparecer.
- Ok, Mia. Meu nome é Sam, e eu acho que vou descobrir se você é louca ou não. - ele respondeu, seguindo a garota. Ele havia gostado do jeito dela. Parecia divertida, e decerto nunca havia feito aquilo em sua vida.

Passaram a noite conversando. As amigas de Amelia eram bem interessantes e Sam sentiu-se acolhido por elas. Mia era realmente muito divertida. Por diversas vezes ficou sem ar de tanto rir das besteiras que Sam dizia. A noite acabou e Mia mal podia esperar pelas próximas em companhia do palhaço Sam, que era como ela o chamava.

O dia seguinte chegou. Ambos acordaram tarde, como era de se esperar. Mia às 16h00, e Sam às 20h00. “Uau! Bem que ele disse que era um dorminhoco.”, ela lembrou-se da noite passada, enquanto o esperava ligar. Assim que acordou Sam ligou para ela e disse para ir até sua casa. Mia foi até lá.
- Olá, menina doidinha. – Sam recebeu-a sorrindo.
- Eu não sou doidinha, e olá, dorminhoco! – Mia deu-lhe um beijo no rosto e entrou em sua casa.

Estavam se conhecendo. Como todo início de relação havia muitos assuntos para se conversar. Eles falavam todo o tempo, sobre muitas coisas! Tinham uma sintonia maravilhosa e riam muito, em virtude das besteiras que ambos falavam. Sam sentia-se atraído por Mia, e achava que não seria tão ruim assim envolver-se com ela para tentar esquecer de sua ex. Mia estava gostando de como tudo estava acontecendo.

- Então quer dizer que eu sou dorminhoco? E ainda sou palhaço? Nem faz um dia que nos conhecemos e você já está me zoando? – Sam se fazia de vítima sorrindo.
- Sim, você quase hiberna! E é um palhaço sim. O palhaço pitoco… – Mia ria sem parar – Pitoquinho! – ela mostrou a língua pra ele, que sorriu.
- Se você mostrar a língua eu vou achar que você está dando em cima de mim. – Sam respondeu sério, sorrindo ironicamente.
- Pense como quiser, Sam. – Mia não pôde evitar dar risada, mais uma vez.

Eram dois bobos. Mas estavam se dando muito bem. Não se podia negar o clima envolvendo os dois naquela sala… Mas não podiam se precipitar.

- Eu vou pensar que você quer me beijar… – Sam dizia aproximando-se.

Em outra situação, em outro tempo, Amelia fugiria da abordagem e se arrependeria profundamente depois… Mas dessa vez ela não o fez. E então, Sam colocou a mão em sua cintura, olhou no fundo de seus olhos e suavemente tocou seus lábios. Mia correspondeu o beijo e sentiu sua face ficar quente. Ela estava um pouco ruborizada e, antes que se desvencilhasse de seus braços, disse sorrindo:

- Você não vai conseguir nada tão fácil assim, Sam. Sam arqueou a sobrancelha, rindo. Nunca ninguém havia feito isso com ele.
- Eu adoro desafios, Amelia.
- E eu os vencedores deles…
- Então você me adora, porque vou vencê-lo! – Sam sorriu.
- Eu espero que você vença, mas não será nada fácil… – Mia parecia tão segura de si. E, internamente, orgulhava-se disso.
- As coisas fáceis não têm graça. Sam terminou de dizer a última frase e piscou para Mia.

Ela bagunçou seus cabelos, como adorava fazer com ele, e jogou-se no sofá, comentando algo sobre um novo cd. Sam pensava que talvez ela o fizesse esquecer da ex… Amelia tinha algo de especial. Ele percebeu e estava disposto a experimentar isso que fazia dela diferente. Filmes, estudos (ele era mais novo que ela!), música e analogias idiotas entreteram os dois a tarde inteira.

Mia estava cada vez mais envolvida, mas não estava completamente apaixonada. Sam gostava de Mia. Ela o atraía cada vez mais e ele gostava do jogo de sedução onde estava inserido. Algumas semanas se passaram e eles nunca haviam se beijado decentemente. Até que Mia foi viajar. Passou o carnaval fora da cidade e deixou Sam aqui, mas mandava notícias todos os dias. Sam tornou-se mais caseiro por isso…
Quando Mia voltou esperava encontrar as coisas como elas eram anteriormente. Mas infelizmente não foi assim. Ela ligava para ele e ele dizia que estava ocupado, que assim que as coisas ficassem normais em sua casa ele falaria com ela. Ela o entendeu, mas morria de saudade dele todos os dias.
Sua insegurança começou a tomar conta dela e ela tinha medo que ele tivesse caído aos pés de sua ex novamente. Ela tinha muito medo disso. Outros garotos davam bola para ela, e ela tinha vontade de ficar com eles, mas seu Pitoco era a coisa que mais queria naquele momento.

Depois de alguns meses separados, Sam ligou para Amelia. Já passava da meia-noite e ela nem acreditou. Seu coração batia mais forte e ela mal conseguia falar com ele. Eram muitas coisas pra falar e a felicidade de falar com ele era tanta que ela nem sabia por onde começar… Porém, ele estava calado, seco… Triste.
Sam disse à Mia que ficaria afastado por uns tempos, mas que um dia voltaria à falar com ela normalmente, como faziam antes de ela ter ido viajar. Mia concordou, a contragosto. Afinal de contas, não havia nada que ela pudesse fazer.
Sam ainda gostava de sua ex, e mesmo que ele mesmo não falasse disso, Mia ficou sabendo por uma amiga em comum que eles tinham. Ela o entendeu e continuou vivendo sua vida. Ficou triste e desejou não tê-lo conhecido, mas sabia que isso era mentira.
Muitos garotos viviam atrás de Amelia, e ela até encantava-se com eles, mas pensava sempre em Sam.
Numa noite, antes de ir dormir, Mia olhou seu celular, como sempre.
Havia uma mensagem… De Sam! Seus olhos brilharam e ela ficou afoita, querendo saber o que ele dizia! Rezava para ser um sinal de sua volta, pois a saudade de Amelia crescia cada vez mais.
Na mensagem, Sam dizia que faltava pouco para ele voltar e que sentia muito a falta dela. Pedia para que ela não o esquecesse e dizia, pela primeira vez, que a amava.
No instante em que leu isso, ela sentiu-se bem. Sam tinha conquistado-a, antes mesmo que ela pudesse perceber. E ela soube, naquele instante, que o palhaço Pitoquinho era o único capaz de aquecer seu coração.