No Worries.
“Times like these we’ll never forget
Staying out to watch the sunset
I’m glad I shared this with you
You set me free
Showed me how good my life could be
How did you happen to me?”
*No Worries – McFly
- Ei, o que você vai fazer hoje de noite? – um Ferdinando empolgado pergunta no telefone enquanto Catarina ajeita os cabelos num belo rabo de cavalo, equilibrando o celular entre a orelha e os ombros, toda torta.
- Ah, acho que nada. Quer fazer alguma coisa? Eu tô com vontade de sair e milagrosamente estou quase pronta! – ela responde rindo quando percebe o telefone quase cair e o ajeita, segurando-o com uma das mãos enquanto dança pelo quarto.
- Estou passando aí em dez minutos, vamos tomar sorvete na praia. Ainda dá tempo de ver o pôr-do-sol! – Ferdinando levanta-se de sua cadeira e olha pela janela, conferindo o tempo. Seria um pôr-do-sol bonito…
- Até daqui um pouco então! Beijos, Ferd – Catarina desliga e corre pro banheiro. Ela não estava satisfeita com os cabelos, no fim das contas.
***
Catarina e Ferdinando são dois jovens paulistas que moram na cidade de Santos. Costumavam sair muito para caminhar na praia, era algo que os dois gostavam de fazer. Ferd, como ela o chamava, amava surfar e já disse que a ensinaria a fazer isso. Táta, como era chamada por ele às vezes, não queria fazer isso. Ela sequer se imaginava de pé numa prancha. Sem falar no medo que tinha do mar. Ela o adorava, mas tinha medo de um dia ser sugada por ele.
Nos últimos tempos eles tinham se visto bastante. Ambos estavam superando o fim dos seus respectivos relacionamentos. Ela tinha terminado algumas semanas antes dele, mas o relacionamento dela tinha acabado de uma maneira triste… O ex tinha viajado pra nunca mais voltar e a tinha abandonado, do nada. “Talvez tenha sido mesmo melhor assim, Táta”, o amigo consolava, dias depois do ocorrido enquanto a garota segurava as lágrimas. Depois foi a vez de Ferd. Ele terminou o relacionamento dele porque as coisas não estavam mais como antes e eles já não eram mais namorados. Eram apenas amigos que se beijavam… E as brigas superavam os momentos bons. Porém, da mesma maneira, ele não tinha mais contato com a ex. E Catarina o consolou dizendo que tudo ia acabar bem… Porque isso sempre acabava acontecendo de uma maneira ou de outra. E que os dois iam acabar crescendo. Ferdinando riu, guardando para si a piada sobre os 150 centímetros da menina.
***
A campainha da casa de Táta toca e ela desce as escadas correndo.
- Mãe, eu vou sair com o Ferd! Volto cedo, qualquer coisa eu ligo, beijo e tchau – corria para a porta com seus chinelos e ajeitando o vestidinho fresco que colocara para passear. Tinha feito as pazes com o cabelo, usaria solto.
- Uau! Não se atrasou, Catarina. Que milagre é esse? – Ferd ria enquanto abria o portão da casa da garota, deixando-a sair e fechando-o em seguida. A menina sorria para ele e depois mostrava a língua levantando um dos pés para alcançar o rosto do garoto – que possuía alguns trinta centímetros a mais que ela. Dava-lhe um beijo no rosto e cruzava os braços, fazendo um bico.
- Não precisa ficar me zoando, Ferd. Eu disse que já estava pronta, caso contrário acho que me atrasaria como das outras vezes! – ela ria e começava a andar com o garoto. Eles sempre tinham se dado tão bem! Desde o começo tinha sido assim. Só que na época em que eles se conheceram ambos namoravam. E ambos respeitavam isso, eles sempre foram apenas amigos.
A praia se aproximava conforme os passos dos dois se apressavam. E lá estava o mar para fazer com que eles se sentissem melhor. Ele estava calmo e era um belo final de tarde. O sol estava quase se pondo e Catarina sentava-se, em cima da camiseta de Ferd, de frente para ao mar. O garoto levantou-se e comprou picolés para eles enquanto conversavam e riam. Eles pareciam um casal de recém-namorados. Exceto pelo fato de que eram amigos e o garoto nunca deixava de zoar a menina. E a garota o sujava com o seu sorvete às vezes. O pôr-do-sol se aproximava e Táta abraçou Ferd, deitando sua cabeça nos ombros dele e colocando seus braços por volta da cintura do garoto. Ele deixou que os ombros da garota fossem envolvidos pelos seus braços e deu-lhe um beijo na cabeça, protegendo-a da brisa fresca que o mar trazia até eles.
O mar e o sol estavam quase se tocando quando então aconteceu. Catarina levantou a cabeça e encostou o nariz no queixo de Ferdinando, que continuou olhando o horizonte, alheio à movimentação da garota. Ela deixou as mãos apoiadas na areia e subiu o rosto devagar… Tão devagar quanto o sol aproximava-se do mar para então deixar a noite tomar conta do céu – que tinha uma cor meio alaranjada agora. Os lábios dos dois se encontraram e um beijo aconteceu. Os olhos dos dois fecharam e eles não apreciaram o pôr-do-sol. Ferdinando caiu de costas na areia e Catarina caiu por cima dele, ambos reabriram os olhos e começaram uma risada gostosa. A menina escondeu o rosto por baixo do queixo do garoto enquanto ele olhava para cima e lhe acariciava as costas. O céu nunca havia estado tão estrelado quanto naquele dia.
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Manoela, tudo bem?
Saudade de ler o que você escreve! Suas palavras sempre me provocam uma diversidade de sensações…
Amei esse texto. Adoro suas personagens, sempre.
E já vivi a situação dessa história… Complicada, mas mais comum do que eu desejaria que fosse.
Me aventurei na ficção, finalmente, mas uma ficção com uma pitada de autobiografia… Sempre amei escrever ficção, só que tinha receio de colocar no blog, minha auto-crítica-destrutiva jamais permitiu, hehe³.
Beijos =*
P.S: Amo McFly.
Tary - Novembro 11, 2008 at 03:08
Manoca, que lindo cara *-* eu quero um Ferdinando pra mim
e se te conheço bem, o Ferdinando realmente existe, só o fim da história que não, né? huuuuuum ;9
amei muitão o texto, como sempre! um beijo, e vê se não some! ;*
Thaís - Dezembro 27, 2008 at 03:11
Ahh, não resisti e tive que comentar aqui também. Belo texto, Manu. Como os tantos outros que você escreve. Adorei a descrição do lugar. Céu estrelado e tal. *-* E o beijo não poderia ter sido em melhor hora né? Pôr-do-sol, praia, mar. Perfeito. *-*
Beijos. *-*
ps: refavoritei o blog, hehe
Bruno - Dezembro 30, 2008 at 08:46