. caradepanela .
Manoela, você sabe que é mais bela do que elas…

Will You Still Love Me Tomorrow?

“I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now and I won’t ask again
Will you still love me tomorrow?”

*Will You Still Love Me Tomorrow? – Amy Winehouse 

O lençol branco cobria meu corpo enquanto eu sorria bobamente olhando para o teto daquele quarto, iluminado apenas pela luz da lua. Fechei os olhos e respirei fundo, vislumbrei a sacada enquanto as cortinas balançavam com o vento gelado da madrugada. Olhei para o lado e percebi que Duh ainda dormia. De bruços, como eu suspeitei. Dei-lhe um beijo no pescoço e sorri, roçando o nariz por entre seu cabelo bagunçado. Puxei o lençol pra cima, protegendo seu corpo nu daquela friagem. Levantei-me com meu robe e fui até a sacada apreciar a lua.
Ela estava linda, era noite de lua cheia. Respirei fundo, fechei os olhos e senti o vento congelar-me o nariz. Sorri com isso. Coloquei-me de costas pra lua e, debruçada sobre a sacada, olhei pra ele. Seus bagunçados cabelos castanhos contrastavam com a brancura do lençol. Seu braço estava caído para fora da cama e ele estava com uma expressão tão pacífica que ninguém ousaria dizer o que havíamos feito mais cedo. Era impossível olhar para ele naquele momento e não sorrir da maneira como eu estava sorrindo.
Pendendo a cabeça para o lado e colocando uma mecha dos cabelos para trás da orelha, eu ria sozinha, lembrando do seu sorriso safado e da maneira como ele franzia as sobrancelhas quando queria me torturar… Ele era bom no que fazia. Eu amava o que ele fazia, a maneira como ele fazia, ele. Acendi meu cigarro depois desse pensamento e desviei o olhar. Poucos carros passavam seis andares abaixo de mim, eu me sentia como a única pessoa acordada naquele momento. Eram quase quatro horas da manhã e eu era a única mulher com tantas dúvidas trazidas de brinde depois do único presente que esperei (e como esperei) ganhar na vida.
Voltei a fitar Duh… A cada tragada em meu cigarro pensava numa coisa diferente. O que aquela noite havia realmente significado? Será que os beijos e as juras de amor eterno feitas por entre os gemidos abafados de ambos significara realmente alguma coisa? Eu olhava para aquele corpo cansado sobre a cama e visualizava Alícia e Lucas correndo para os meus braços num final de tarde, enquanto o Duh carregava Sofia no colo até mim. Conseguia ver a foto da família num porta-retratos bonito ao lado do cinzeiro na sala de estar, nossas noites loucas pelos motéis daquela cidade iluminada. De repente meu corpo era tomado por dores que ainda não havia sentido, certamente hematomas de brigas futuras. Mais copos quebrados, mais tapas dolorosos, mais noites silenciosas aonde o meu choro calado se sobressaía por entre os xingamentos sussurrados ao pé do ouvido daquele Duh que eu não mais reconhecia enquanto forçava monstruosamente seu corpo contra o meu. Senti uma dor no peito por tudo o que poderia ser de nós e que, talvez, não fosse. Mas naquela noite, naquele instante… Naquele momento, ele era completamente meu.
Ele se mexeu na cama, virando seu rosto na direção do meu. Acordei dos meus pensamentos e fiquei olhando fixamente para seu rosto, esperando que ele acordasse. Ele não o fez. Dei uma risada baixinha balançando a cabeça e pensando comigo mesma no quanto ele deveria estar cansado para ainda não ter acordado e notado a cama vazia. Mordi os lábios pensando em como seria estar sozinha na minha cama depois daquela noite. Senti um medo instalar-se subitamente no meu corpo e voltei a olhar a lua, procurando respostas até para as perguntas que ainda não havia feito.
Ansiava por uma vida inteira exatamente daquela maneira: com aquele homem deitado em minha cama enquanto eu o fitava dormir numa noite bonita, com a lua brilhando no céu só para nós dois. Desejava apenas a certeza de que isso aconteceria todos os dias da nossa vida. Eu o amava, ele me amava, não havia dúvidas disso. Passamos a noite nos amando mutuamente e eu ainda era consumida com a incerteza do amanhã… Baixei a cabeça e terminei de fumar meu cigarro. Vi as últimas cinzas voarem sacada afora num transe, imaginando meus sonhos e desejos voando junto com elas. Acordei de meus devaneios. Preparava-me para voltar para a cama e fui surpreendida por um abraço apertado, mãos firmes tirando os cabelos do meu pescoço enquanto Duh me dava apenas um beijo no pescoço, o bastante para arrepiar meu corpo inteiro. Sorria feliz enquanto deixava minhas mãos apoiadas sobre as dele.

- Eu te amo, Mari. Te amo mesmo. – Duh me disse baixinho ao pé da orelha.
 Eu senti meus olhos brilharem enquanto dava um sorriso largo e voltava a olhar a lua.
- Você vai me amar amanhã? – Me vi silenciando a primeira coisa que veio à minha mente. Respondi, com toda a sinceridade que havia em mim naquele instante. – Eu vou te amar por toda a minha vida.

2 Responses to “Will You Still Love Me Tomorrow?”

  1. É, essa sou eu…em todos os sentimentos, sensações e devaneios, duvidas e com a maior certeza de todas: “Eu vou te amar por toda a minha vida”.

  2. Como você consegue, Aaya? Se eu não conhecesse a sua imaginação fértil diria que você andou aprontando por aí… rs. Ou será que andou? rs.
    Não importa. Estou com saudades. De você, de escrever, das nossas conversas. Enquanto não tenho idéias mirabolantes para post extraordinários que nem os seus, eu me divirto aqui no seu blog.
    O texto ficou fantástico (aliás, acho que ler os seus posts tem me deixado mais bundona do que eu de fato deveria ser… rs)
    Te amo, Aaya
    =**


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