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	<title>. caradepanela . &#187; (In)diretamente falando.</title>
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		<title>Eu nunca disse adeus.</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 20:59:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estávamos no inverno, era uma terça-feira. Eu acordei irritada, o sol se instalava janela adentro e fazia meu corpo inteiro queimar. Levantei-me da cama com um bico e as sobrancelhas franzidas, como sempre fazia quando estava com raiva, e fechei a janela de uma vez só. O cachorro da vizinha latiu com o barulho e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caradepanela.wordpress.com&blog=2475968&post=50&subd=caradepanela&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Estávamos no inverno, era uma terça-feira. Eu acordei irritada, o sol se instalava janela adentro e fazia meu corpo inteiro queimar. Levantei-me da cama com um bico e as sobrancelhas franzidas, como sempre fazia quando estava com raiva, e fechei a janela de uma vez só. O cachorro da vizinha latiu com o barulho e eu resmunguei alguns xingamentos, voltando a deitar. Dei uma olhadinha no relógio, ele mostrava 10h00. Eram 10h00 de uma terça-feira comum.<br />
Costumo dormir com o celular na cômoda ao lado da cama, e como o calor infernal tirou meu sono, decidi pegá-lo para ficar fazendo nada. Talvez dar uma olhada na quantidade de pessoas &#8211; que não me ligam – da minha agenda telefônica. Havia uma mensagem e não pude evitar sorrir. Era Filipe. Ele chegava hoje! Odiava terças-feiras, mas essa não podia ter começado melhor.<br />
Filipe era meu namorado, nos conhecíamos a mais de um ano. Ele viajou um dia depois que completamos um mês de namoro. Antes de Filipe tinha tido alguns namorados, mas nunca havia me entregado daquela maneira. Filipe havia se tornado metade de mim. Quando estávamos separados era como se me faltassem as pernas. Eu ficava estagnada, imersa nas lembranças dos momentos que passávamos juntos, imaginando como seria quando o visse novamente. E quando ele aparecia de novo, ah! Quando ele aparecia de novo era meu momento favorito entre todos os momentos do mundo! Eu voltava a andar.<br />
Dei um sorriso e levantei-me logo, mandei uma mensagem pedindo que passasse em casa à tarde, íamos andar na beira do mar abraçados, esperando o pôr-do-sol. Eu nunca havia visto o pôr-do-sol e a praia era logo ali, alguns quarteirões da minha casa.<br />
Tomei banho, cantarolei como sempre fazia enquanto procurava uma roupa, me troquei e passei um tempo na internet. Ele estava demorando, mas eu estava tão feliz que nada iria me fazer ficar triste naquele dia.<br />
O sol começava a se esconder por trás das nuvens, o céu ficara cinza de uma hora pra outra e havia um vento gelado cortando-me a pele. Eu não esperava por um tempo daquele, meu short e minha regata denunciavam isso. Eu chorava um choro incessante, mal conseguia respirar por entre as lágrimas. Mais cedo, ainda naquele dia, recebi uma ligação do celular de Filipe. Mas quem falou comigo não foi ele.<br />
A pessoa com quem falava me informou de um acidente próximo à minha casa. Ela me descreveu o carro de Filipe e disse que ele estava no Hospital Ana Costa. Eu desliguei antes que ela me dissesse o estado dele. Acho que nunca dirigi tão rápido em toda minha vida. Médicos passavam por mim às pressas, eu não conseguia enxergar direito o que estava acontecendo por trás daquele vidro transparente, mas não deveria ser uma coisa boa&#8230; Eles conversavam entre si e pareciam nervosos e então eu comecei a ouvir barulhos familiares, eles significavam que a coisa não estava boa mesmo. Minhas maratonas de ER e Grey’s Anatomy finalmente tiveram alguma utilidade. Não conseguia ficar parada e também não conseguia ver o desespero dos médicos. Sentei-me e entrelacei minhas mãos numa prece, coisa que nunca havia feito. Não ligava para orações, mas naquele momento eu sabia que rezar era a única coisa que eu poderia fazer.<br />
Às 16h00 os médicos desligaram todas as máquinas e vieram falar comigo. Contaram-me que Filipe não havia resistido aos ferimentos, que eles sentiam muito&#8230; Disseram que eu poderia ir até lá me despedir dele enquanto eles entravam em contato com sua família. Entrei naquele quarto em transe, olhava para aquela maca sem piscar. Avistei o rosto de Filipe e olhei pra ele, mas era como se eu não pudesse realmente vê-lo. Fiquei um tempo fazendo isso até que olhei no relógio em seu pulso. Ele estava quebrado e marcava 14h14. Saí correndo do hospital, fazendo uma enfermeira derrubar sua prancheta e um bolo de papéis que carregava.<br />
Corria feito louca, as pessoas me olhavam assustadas, saindo da minha frente o mais rápido que podiam. Deixei meu carro no hospital e corri até a praia. Eu precisava chegar lá. Eram quase 18h00.<br />
Agora o céu estava repleto de nuvens cinzas e eu me envolvia num abraço forte, tentando não ser afetada pelo frio gelado que o mar trazia até mim. Sentada num banco da praia eu olhava o mar com atenção, pensando em tudo o que tinha acontecido. Comecei a chorar e chorar. As lágrimas não paravam de rolar pelo meu rosto, sentia vontade de gritar e correr até o mar, me jogar dentro dele e fazer com que ele me levasse pra longe. Quando as lágrimas secaram eu podia sentir a dor no meu peito. Eu nunca havia sentido uma dor tão grande em toda a minha vida. O sol se pôs, fui pra casa.<br />
A única vez em que tinha visto um cadáver foi quando meu pai morreu. À contragosto me levaram no velório dele e eu chorei tanto, mas tanto, que minha cabeça ficou doendo por uma semana. Apesar de tudo, não era tão difícil se acostumar àquilo. Sempre se espera que os mais velhos morram antes. Você sempre espera enterrar teus pais, e não o contrário. Depois daquele dia eu jurei que nunca mais iria à velório algum. Foi o único juramento que quebrei.<br />
O que mais gostava no Filipe eram seus olhos castanhos e as pintinhas que ele tinha pelo corpo. Quando me aproximei do caixão a mãe dele me abraçou e me beijou a testa, como faria com a filha dela, se tivesse uma. Eu peguei a mão dele e apertei, ele estava gelado. Envolvi minhas duas mãos nas dele então e fiquei olhando pros olhos fechados dele, pedindo baixinho que ele os abrisse. Ele não o fez. Chorei copiosamente durante todo o tempo que estive no velório. Não podia acreditar que nunca mais o veria, não queria largar a sua mão. Olhava para seu corpo pálido, as pintas atrás de sua orelha estavam ali e eu sorri de leve lembrando-me do quanto ele as odiava. Eu não queria deixá-lo ir.<br />
Uma vez, numa das nossas saídas, Filipe pediu para eu lhe prometer uma coisa. Aliás, ele me pediu para prometer duas coisas! Uma delas era nunca deixar de sorrir, porque meu sorriso era a coisa mais linda e mais preciosa que eu tinha. Achei essa um tanto quanto estranha, mas prometi. E a outra era para que, independente do que acontecesse conosco, eu nunca lhe desse adeus. Ele dizia que adeus era um tchau sem volta, por isso nunca deveria dizer adeus para ele. Mesmo que a gente terminasse, eu casasse com outro e tudo mais. Eu lembro que nesse dia eu bati nele e disse que a gente nunca ia terminar! A gente se amava e era pra sempre. Ainda brinquei que ele teria que me agüentar até o fim dos seus dias&#8230;<br />
Ainda no velório as pessoas acenavam em coro enquanto o caixão era carregado. Todas elas diziam adeus em meio à um choro e eu agora sorria, como se alguém me colocasse magicamente um sorriso no rosto. Sorri novamente com algumas lágrimas nos olhos e disse tchau. É, eu disse tchau. Tchau, meu Filipe.</p>
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		<title>(Insira um título aqui).</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 07:09:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoela</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Cinza. Era assim que Belo Horizonte se encontrava naquela tarde do oitavo dia de março. As nuvens brancas tentavam sobressair por entre o céu que se tornava cada vez mais escuro. Havia carros passando pela avenida, pessoas caminhando rapidamente, olhando o céu e aguardando pela chuva que não viria naquele dia&#8230; E o sábado continuava cinza. Inseridos nesse cenário sóbrio estavam um garoto e uma garota, também cobertos pelo céu acinzentado. Eles estavam de pé numa rua e conversavam sem parar! Havia uma pequena distância entre eles&#8230; Distância essa que se tornava menor a cada movimento.<br />
O garoto possuía grandes e escuros olhos azuis e um sorriso brilhante extremamente bonito. Era inevitável perceber seu sotaque mineiro e seu jeito acolhedor, escondido por um ego sempre inflado. O garoto das pintas no rosto sabia exatamente a hora de fazer rir e fazia isso à todo instante. Era criança de tudo, mas sabia conversar e conquistar uma garota. Pelo menos soube conquistar aquela garota paulista.<br />
À sua frente estava uma tímida e avermelhada garota, que escondia suas mãos no bolso de trás da calça enquanto virava seus pés, calçados com um all star, para dentro. Ela tinha um ar esnobe, típico das pessoas do estado de São Paulo, que contrastava com seu jeito simples e carinhoso. Ambos riam da situação.<br />
Qualquer pessoa poderia ver que gostavam um do outro. Era claro que aquele diálogo terminaria em um beijo, mas era delicioso apreciar o jogo de sedução que eles faziam um com o outro. Algumas pessoas assistiam a tudo, olhando disfarçadamente para aqueles dois que não ficavam em silêncio nunca. Era incrível como eles sempre tinham o que falar.<br />
Falavam sobre coisas sem sentido. O garoto sempre fazendo a garota ficar vermelha e olhar para baixo, rindo-se da situação. Uma exímia utilizadora de indiretas, a garota arrancava olhares fixos e penetrantes do garoto&#8230; Sem que ela mesma conseguisse sustentá-los.</p>
<p>- Eu gosto da música “Vinte e Nove”, do Legião Urbana. A letra é legal e é o dia do meu aniversário – a garota comentava para depois rir.<br />
- “Estou aprendendo a viver sem você” – o garoto cantava um trecho da música – Mentira! – ele sorria, olhando pra ela.</p>
<p>A cada momento ficava mais difícil manter a boca dos dois separada. Existia algo que os puxava para perto um do outro. E, pelo menos a garota, queria envolvê-lo para nunca mais soltar.</p>
<p>- Ah, minha bobinha! Não precisa ficar sem graça! – o menino dizia sorrindo, enquanto chegava mais perto dela.</p>
<p>Com as bochechas rosadas, a menina respondeu, olhando para ele:</p>
<p>- Por mais que eu queira, não consigo, meu bobinho. Gosto disso e não gosto disso. Entende?– ela desviou o olhar, passando os cabelos para trás de sua orelha.</p>
<p>O garoto analisou-a de perto e em silêncio. Sentou-se na rua com as pernas esticadas, parcialmente dobradas, e os cotovelos apoiados em seus joelhos. Lançou seu carente e azulado olhar para ela, pedindo, ainda que em silêncio, que ela explicasse o que havia dito. Ela sorriu e sentou-se ao lado dele, entendendo o que ele quis dizer.</p>
<p>- Entender sem não entender é uma arte milenar, sabia? – a garota sorria e olhava para ele. “Como ele podia ser tão perfeito?”, ela pensava.<br />
- Ah, bobinha! Senta mais perto de mim, senta? – o garoto sorria enquanto batia a mão no chão, mostrando-lhe o lugar aonde ela deveria sentar.</p>
<p>Sem hesitação, a garota se viu atendendo ao pedido dele.</p>
<p>- Você fica com uma carinha de criança quando sorri, meu bobinho! – a garota apertava a bochecha do garoto, sorrindo.<br />
- Cara de criança?! – ele disse, desconfiado. &#8211; Isso é bom? – ele mordeu de leve a mão dela, enquanto ela apertava a sua bochecha.<br />
- É sim e ai! – ela ria enquanto exclamava a última palavra &#8211; Ficou a marca, olha só – ela mostrava sua mão que agora estampava um círculo vermelho feito por dentes. – Você não precisa arrancar pedaço de mim&#8230; Eu acho. – a garota ria sem parar.<br />
- Deixa de fazer drama! Eu não quero arrancar pedaço, &#8211; o menino aproximava-se dela cada vez mais, pegando a sua mão e beijando-a no local da mordida – A menos que você queira que eu tire um pedaço de você&#8230;</p>
<p>O garoto respondeu com um sorriso no canto da boca, arrancando mais uma vez a brancura da pele da garota. Ele a encarava de perto e passava as mãos em seus cabelos, enquanto ela podia sentir a respiração dele em seu braço.</p>
<p>- E qual seria o pedaço que você arrancaria? – a garota olhou séria para ele, olhando no fundo de seus olhos azuis, perdendo-se por alguns instantes. Ela sorria ironicamente depois de dizer a frase, agarrando seus joelhos e sentindo o festival que as borboletas faziam em seu estômago.<br />
Ele pensou alguns momentos antes de falar, apenas olhando para ela. O silêncio a deixava sem graça e ela olhava para ele, sorrindo.</p>
<p>– Eu não quero arrancar pedaço, bobinha. Quero fazer outra coisa. – ele se aproximava, olhando para os olhos e para a boca da garota.</p>
<p>Utilizando-se do pouco de coragem que existia dentro dela a garota aproximou-se mais dele, como se fosse ler seu olhar, e disse:</p>
<p>- Ah é? E por que não faz isso, meu bobinho? Conte-me! Eu estou curiosa. – a garota sorriu, dissipando o enrubescer de seu rosto.</p>
<p>O garoto sorriu seu sorriso mais largo e iluminou o rosto da garota. Colocou sua mão no rosto dela enquanto ela fazia o mesmo com ele, acariciando seu rosto com as costas da mão suave da garota. Ele fechou os olhos e encostou seus lábios nos dela. Um riso abafado e o toque do nariz de ambos precederam o beijo.<br />
Suave, tranqüilo. Cheio de ansiedade e de vontade, tornava-se intenso. Ela se deixava levar pelos movimentos do garoto e ele sorria por entre o beijo. As borboletas paravam de voar no estômago da garota, que finalmente estava fazendo algo que tanto esperou para fazer.</p>
<p>- Eu estava tri louquinho para fazer isso, bobinha! Acho que você percebeu – ele sorriu para ela.<br />
- Acho que percebi. – a garota ria vermelha e sem graça.</p>
<p>Passados alguns minutos os dois encaravam-se, felizes. O garoto levantou-se e estendeu a mão para a garota fazer o mesmo. Ele a abraçou, puxando-a pela cintura, mantendo seus corpos unidos. A garota paulista sorria enquanto deitava seu rosto no peito do garoto. Ela poderia ficar ali, debaixo do céu cinza e nos braços do garoto mineiro, para sempre.</p>
<p>Passados alguns dias, a garota paulista voltou para sua realidade praiana. Enquanto assistia à uma aula monótona, sobre o “direito das borboletas”, a garota ria sozinha. Um sorriso bobo estampava seu rosto, acompanhando seu pensamento, preso na tarde cinza do dia das mulheres. Aquele havia sido o primeiro beijo dos dois, e por motivos maiores, foi também um dos últimos.<br />
Ela lembrava-se do dia quatorze daquele mês, quando a chuva não foi a única coisa que molhou seu rosto. Os corações bobinhos de ambos foram separados e eles teriam que viver com a lembrança dos momentos que vivenciaram juntos. Ele fazia isso enquanto olhava para o céu – que havia se tornado azul &#8211; de Belo Horizonte, e ela fazia enquanto caminhava sentindo o cheiro do mar – que ele tanto detestava &#8211; da praia de Santos.<br />
E então a garota com nome melódico tentava se concentrar na aula que fazia lembrar Minas e olhos azuis. Seguia o conselho do bobinho e ouvia receitas em sua cabeça. Só que naquele momento, tudo&#8230; Tudo trazia a presença dele.</p>
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		<title>(quase) Pensando em você.</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Jan 2008 13:41:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era mais um dia de sol. Teka estava em um ônibus que percorria a avenida da praia, em Santos.
- Você estava olhando pra ela sim, Rodrigo!
- Não, Luciana. Eu não estava olhando pra ela.
- Claro que estava! E aposto que estava pensando no quanto ela é gostosa, não é? Afinal de contas, todas as pessoas dizem isso dela, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caradepanela.wordpress.com&blog=2475968&post=12&subd=caradepanela&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Era mais um dia de sol. Teka estava em um ônibus que percorria a avenida da praia, em Santos.</p>
<p>- Você estava olhando pra ela sim, Rodrigo!<br />
- Não, Luciana. Eu não estava olhando pra ela.<br />
- Claro que estava! E aposto que estava pensando no quanto ela é gostosa, não é? Afinal de contas, todas as pessoas dizem isso dela, eu nem vejo nada de mais nela, mas é claro que você viu, não é?<br />
- Pára com  isso! Eu já disse que não estava olhando.<br />
- Mas você acha a Bruna gostosa, não acha? &#8211; Luciana pergunta, ansiosa pela resposta. Na verdade, ela sabia que ele ia responder sim, mas ainda tinha esperança de estar errada. Muita esperança.<br />
- Claro, ela é gostosa sim. Satisfeita? -Rodrigo responde com a maior calma e cinismo do mundo.<br />
- Eu não acredito nisso!</p>
<p>Luciana faz sinal para o ônibus parar e desce em um ponto qualquer. Longe do cinema para onde ela e o namorado Rodrigo estavam indo. Luciana se sentia cansada. Ela olhou pra trás e viu que Rodrigo não havia descido com ela. &#8220;Legal! Bem legal, Rodrigo.&#8221;, ela pensa.</p>
<p>Luciana tem 19 anos. Mas aparenta menos. Os vários anos de ballet conservaram seu corpo de uma menina de 10 anos de idade. Ela sentia uma pontinha de inveja das curvas das suas amigas, e vivia dizendo que quando crescesse e fosse uma professora de sucesso ela colocaria silicone nos seios. Era seu maior sonho, e ela não tinha vergonha disso. Odiava seu corpo &#8220;de menino&#8221; e faria de tudo para mudá-lo. Era por isso que sentia tanto ciúme dos olhares de seu namorado.<br />
Rodrigo tem 21 anos e é modelo. É um rapaz muito bonito e dentre todas as suas companheiras de profissão e tantas outras garotas lindas &#8211; e que davam em cima dele - do mundo, ele escolheu a &#8221;magrinha dos pequenos olhos sem cor definida&#8221;. Às vezes eram verdes, às vezes azuis, e ele adorava mergulhar naquele olhar e tentar desvendar a cor daqueles olhos todos os dias. Rodrigo amava Luciana, amava muito. Mas a insegurança dela o deixava um pouco chateado. Claro, ele não sabia como era estar na pele dela. Ele era lindo e chamava atenção de todos &#8211; e todas, para a infelicidade de sua namorada.</p>
<p>Rodrigo continuava sentado no ônibus, bufando a cada minuto. Não era a primeira vez que Luciana fazia isso, e certamente não seria a última. Rodrigo estava exausto. Ele não iria correr atrás dela e de suas infantilidades mais uma vez. &#8220;Eu não a entendo. Ela ouviu o que ela queria ouvir, oras!&#8221;, pensava. E o lugar aonde Luciana havia descido se distanciava cada vez mais&#8230; Até que ele resolveu descer. Fez sinal e desceu do ônibus. Teria que andar um pouco, mas sentia falta daquela tonta que ele tanto amava.</p>
<p>***</p>
<p>O ônibus continuou com seu caminho e Teka começou a rir e a chorar ao mesmo tempo. Ela fazia isso discretamente, pois tinha medo do que todas aquelas pessoas iriam pensar se a vissem rindo e chorando sozinha. Mas ela ria! Ria porque era nítido o quanto os dois se amavam. E ela chorava de saudades do tempo em que ela mesma protagonizava cenas assim com seu namorado&#8230;<br />
Teka olhou para o relógio. Eram 15h13. O sinal havia acabado de fechar e ela não queria olhar o relógio mais uma vez.</p>
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		<title>Manu.</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jan 2008 14:01:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoela</dc:creator>
				<category><![CDATA[(In)diretamente falando.]]></category>

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		<description><![CDATA[A minha versão de um dos poemas que eu mais gosto: José - Carlos Drummond de Andrade.
E agora, Manu?
O sonho acabou,
a alegria sumiu,
o medo voltou,
a esperança partiu,
e agora, Manu?
e agora, Você?
Você que tem nome,
que zomba de mim,
que canta meus sonhos,
que ama (ama?), se importa (se importa?)?
e agora, Manu?
Está sem coração,
ainda tem seus amigos,
mas está sem sorrisos.
Ainda pode beber,
ainda [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caradepanela.wordpress.com&blog=2475968&post=9&subd=caradepanela&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A minha versão de um dos poemas que eu mais gosto: José - Carlos Drummond de Andrade.</p>
<p>E agora, Manu?<br />
O sonho acabou,<br />
a alegria sumiu,<br />
o medo voltou,<br />
a esperança partiu,<br />
e agora, Manu?<br />
e agora, Você?<br />
Você que tem nome,<br />
que zomba de mim,<br />
que canta meus sonhos,<br />
que ama (ama?), se importa (se importa?)?<br />
e agora, Manu?</p>
<p>Está sem coração,<br />
ainda tem seus amigos,<br />
mas está sem sorrisos.<br />
Ainda pode beber,<br />
ainda pode fumar,<br />
chorar já não pode,<br />
o dia esfriou,<br />
a chuva não veio,<br />
mas o pranto chegou.<br />
A vida não veio,<br />
não veio a mentira<br />
e tudo acabou<br />
e tudo sumiu<br />
e tudo estragou,<br />
e você permitiu&#8230;<br />
e agora, Manu?</p>
<p>E agora, Manu?<br />
só tem palavras amargas,<br />
e risos sutis,<br />
você vive em jejum,<br />
e já não sabe o que diz.<br />
Sua alegria contagiante,<br />
sua risada inconfundível,<br />
sua incoerência,<br />
seu amor, &#8211; e agora?</p>
<p>Com o coração na mão <br />
quer fechar a porta,<br />
não existe porta;<br />
quer morrer de chorar,<br />
mas a lágrima secou;<br />
quer ir para qualquer lugar,<br />
quer fugir, se esconder.<br />
Manu, e agora?</p>
<p>Se você gritasse,<br />
se você parasse,<br />
se você dissesse,<br />
as coisas que já não agüenta mais,<br />
se você dormisse,<br />
se você morresse!<br />
Se você morresse&#8230;.<br />
Mas você não morre,<br />
você é forte, Manu!</p>
<p>Sozinha no escuro<br />
qual garota perdida,<br />
sem alguma utopia,<br />
sem sonhos secretos<br />
para se encostar,<br />
sem asas escondidas<br />
que fujam da escuridão,<br />
você caminha, Manu!<br />
Manu, para onde?</p>
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