. caradepanela .
Manoela, você sabe que é mais bela do que elas…

Fev
15

Estávamos na sala de TV do clube. Eu e toda a turma da faculdade. Estávamos vendo um filme monótono e chato, e a única coisa na qual eu conseguia pensar era na minha dor de garganta, que insistia em aumentar a cada vez em que eu engolia um pouco de saliva. Decidi sair da sala para procurar algum remédio pra tomar. Até que fui surpreendida:

- Olha, eu tenho remédio aqui… E tem umas músicas pra relaxar. – Bruno falou, e parecia sincero.
- Ahm… Ok, eu vou até lá e volto… Preciso andar mesmo e tenho que procurar a Letícia. – respondi educadamente.
- Tudo bem então… Eu disse que tenho e tu vai sair, tá! – Bruno respondeu com raiva.

Eu apenas saí. Bruno tinha sido um amigo muito próximo mesmo, durante os quatro primeiros meses do nosso curso. Depois nós brigamos e nunca mais olhamos um na cara do outro. E agora, ele veio me ajudar. A vida é mesmo uma caixinha de surpresas… Pena que meu orgulho permanecia em mim. De qualquer forma, eu tinha mesmo que procurar a Lê.
Caminhei pelo clube e vi o resto das pessoas da classe que não estavam lá vendo aquele filme horrível. Muitos bêbados, outros na piscina, alguns xavecando… Mas todos felizes! E eu ali, com aquela maldita dor de garganta. “Eu tinha que pelo menos beber água…”, era o que pensava.
Lembrei-me de que o bebedouro do clube ficava perto de onde estava e fui até lá. A água nunca foi tão saborosa! É uma pena que eu tenha ficado com sede no instante seguinte àquele pelo qual a água passa pela minha garganta. “Como eu odeio ter dor de garganta, meu Deus!”, bufava.
Não muito longe dali ficava o banheiro… E eu ouvia berros e risadas. A minha curiosidade não me deixou alternativa, e eu fui até lá, ver o que estava acontecendo. Era no banheiro masculino… Mas eu entrei mesmo assim.
Logo que abri a porta, me deparei com duas meninas correndo uma atrás da outra… As duas nuas e sorrindo. Eu já as tinha visto por aí (com roupas, claro)… Elas eram melhores amigas. Uma delas até namorava com um menino que é amigo do amigo de um amigo meu. Elas me cumprimentaram, como se o que estivesse acontecendo fosse a coisa mais normal do mundo. E eu ali, abismada e sem saber o que fazer.
Elas continuaram correndo enquanto conversavam comigo. Eu queria saber o que elas faziam ali, porque não estavam no banheiro feminino, e onde estavam os meninos (afinal de contas, o banheiro era masculino, e havia apenas duas meninas ali?). Elas me responderam algumas coisas, mas resumiram dizendo que tudo aquilo era divertido e elas estavam entediadas. E mais, queriam que eu as acompanhasse! Eu disse que não, mas elas estavam tirando toda a minha roupa. Deixaram-me apenas com as roupas de baixo. Eu peguei uma toalha, me enrolei nela e fiquei parada, sem fazer nada. Estava morrendo de vergonha… “E se algum menino entrar?”, era tudo o que pensava. Eu me esgueirei em uma das portas do banheiro e, de repente, ela abriu.
Quando abri os olhos percebi que meu corpo estava envolto por braços fortes e morenos. Era um menino! E ele sorria pra mim.

- Você estava escutando toda a conversa? – perguntei sem graça, enquanto arrumava a toalha e saía dos braços dele.
- Digamos que vocês não falam tão baixo quanto gostariam. – ele respondeu, sorrindo.

Aquele menino não me era estranho, mas eu não lembrava de onde o conhecia. Eu podia jurar que ele era um amigo do meu irmão… Mas ele podia também ser um calouro da faculdade. Não me importava. Ele era lindo! Moreno, alto, cabelos raspados (por isso a semelhança com um calouro), um corpo definido que podia ser visto por debaixo da regata branca que ele vestia. Dono de um sorriso incrível e de um charme irresistível. Ele já tinha me ganhado, e só tínhamos trocado uma frase.

- Ah… Entendi. Bom, minhas roupas estão lá fora… E eu só saí pra procurar a minha amiga e um remédio para garganta. E agora preciso de um banho e de umas roupas.
- Bom, ali tem um chuveiro… E eu posso te emprestar umas roupas minhas depois que você tomar banho. Eu tenho uma bala de morango, se você quiser. E puxa, você não lembra de mim mesmo, Juliana? – Ele sorria enquanto falava meu nome. E eu derretia, é claro!
- Normalmente eu diria que não esqueceria um rosto (principalmente como o seu, eu completaria. Mas omiti esse detalhe), mas eu realmente não lembro de você. Mas tive a impressão de que te conhecia de algum lugar mesmo. – “Eu sabia!”, gritei mentalmente.
- Meu nome é Luiz Henrique, e eu era da classe do seu irmão na escola. Agora, sou calouro da sua faculdade. O que faz de você a minha veterana. – ele disse, olhando fixamente para mim, com um sorrisinho de canto de boca.

Eu nem o conhecia direito… Mesmo que soubesse quem ele era (depois que ele falou, eu lembrei dele direitinho), eu nem o conhecia. Mas ele me atraía de uma maneira…

- Olá! Nossa, lembrei agora! Na verdade, eu estava em dúvida sobre de onde te conhecia, mas agora lembrei mesmo. Quanto tempo! – eu disse, enquanto eu me aproximava para dar-lhe um beijo no rosto. Ele permaneceu da mesma maneira, de modo que eu beijaria seus lábios caso não virasse a cabeça. E eu não queria virar. Eu não conseguia mudar a posição dela. Eu não virei.
- Oi, Jú! – ele virou o rosto e me beijou a face, rindo.
- Eu poderia ter beijado a sua boca, Lú. Não ficaria triste. – eu disse, sem me reconhecer.

E então, mais do que de repente, ele sorriu e me beijou. Eu sorri e o beijei de volta, obviamente. Era um beijo doce e lento. Parece que ele lia meus pensamentos enquanto me beijava. Com as bocas grudadas uma na outra, ele sentou-se na cadeira que estava no meio de nossas pernas, enquanto eu me inclinei sobre seu corpo. Ele acariciava minhas pernas enquanto nos beijávamos, e eu passava minha mão sobre seus peitos, sobre seu pescoço e sobre seu rosto. A toalha que me envolvia já estava caída no chão. Eu fazia um esforço enorme para tirar a regata que ele usava sem parar de beijá-lo. Eu o sentia rir da minha tentativa frustrada e então suas mãos me ajudaram com isso. Larguei aqueles lábios deliciosos por alguns momentos, apenas para observar aquele corpo lindo. Ele olhava pra mim de um jeito que fez com que eu ficasse sem graça, só de imaginar no que ele poderia estar pensando enquanto me via ali na frente dele, vestida (ou despida!) daquele jeito… Voltamos ao beijo então. Ele aumentava o ritmo do beijo, toda vez que a sua mão subia nas minhas pernas, e eu, diminuía o ritmo do beijo, afastando sua mão do laço da minha calcinha. Eu poderia ter ficado ali o beijando por um longo tempo. Estava quase sem fôlego e mal conseguia respirar… Mas poderia morrer nos braços daquele menino. E ele era mesmo um menino.
Escutamos um barulho e logo paramos de nos beijar. Ambos ofegantes. Ele levantou-se e foi para a janela, com sua mão sobre a testa, secando o suor. Eu caminhei até a porta, encostei-me nela de costas e deslizei até o chão, com as mãos no sutiã, colocando-o no lugar. Já sentada, eu tentava disfarçar as bochechas coradas, o coração disparado, a respiração ofegante e todo o corpo trêmulo. Arrumava os cabelos, que estavam bagunçados. “Como ele pôde fazer tudo isso se eu estava guiando as mãos dele?”, eu pensava incrédula. Mas feliz.
Um silêncio tomara conta da sala. Eu estava esperando que ele me agarrasse loucamente e que continuássemos nos beijando até o dia em que ambos ficássemos desidratados. Mas ele estava tão quieto, absorto em suas reflexões de fronte ao espelho.

- Bom, pelo menos eu não vou ficar com vergonha se você me vir pelada. Já me viu assim indiretamente mesmo! – eu disse rindo, enquanto ele me olhava quieto. – Enquanto você fica aí refletindo… Eu vou tomar banho, ok?
- Vai lá, moranguinha! – ele acenou e sorriu. Colocou uma das mãos na cintura e passou a outra mão nos cabelos, deixando-me louca para pular naqueles braços novamente.

Eu tirei a pouca roupa que ainda me restava no corpo e fui tomar banho. Eu não tive vergonha de me despir ali. E queria que ele fosse atrás de mim! É estranho pensar assim… Mas foi o que eu fiz naquele momento. Não havia tempo de pensar. Ele já havia dominado meus pensamentos.
E então ele ficou ali parado, pensando, enquanto eu fui tomar banho, também pensando. Perdida em meus pensamentos debaixo do chuveiro, deparei-me com os braços dele envolvendo meu corpo novamente. E sorri, ao perceber que a minha dor de garganta tinha desaparecido.

Fev
13

No coração do estado de Santa Catarina, a 400 km de sua capital, em meio a uma exuberante paisagem, está localizado o município de Fraiburgo, lugar onde é possível encontrar árvores centenárias, animais exóticos, e um belíssimo lago onde as imponentes araucárias se fazem presentes. Nesta maravilhosa cidade, a maçã e seus derivados são o carro chefe de sua economia, como também na gastronomia, o que pode-se notar nos saborosos pratos a base desta fruta, que dão um gostinho especial a esse pacato lugar. É comum a prática do eco turismo, com suas trilhas ecológicas, além dos esportes radicais. A bela cidade ainda preserva a história e os costumes de diferentes etnias – o que é visível na arquitetura, infra-estrutura de hotéis, museus e centros culturais. O turista que visita Fraiburgo tem a oportunidade de ver nos meses de setembro a outubro a florada da maça, quando as macieiras florescem e a natureza nos dá um espetáculo à parte. Vale a pena conhecer a inesquecível Terra da Maçã. 

Isso é o que a maioria dos sites diz sobre Fraiburgo, que pode-se pronunciar com aquele sotaque de interior mesmo. Fraiburgo foi o lugar escolhido para passar o carnaval desse ano. Minha mãe já sabe que ela sempre tem três estados para escolher como destino: os três estados que formam a região sul. Acho que todo mundo já sabe da minha paixão por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Enfim, fomos para lá neste carnaval.
Fraiburgo é uma das cidades mais lindas que já conheci. E talvez a mais fria também. Mas a recepção calorosa que tivemos nos deixou confortáveis, mesmo no frio da serra catarinense. A arquitetura de lá é realmente linda, e por si só é um espetáculo. Não importa aonde você está, sempre existe uma grande área verde ao seu redor. Estar em contato com a natureza é uma coisa que tu não pode escolher lá. Você sempre estará em meio à araucárias e com aquele céu tão azul bem pertinho. Em algumas noites era como se pudéssemos tocar as estrelas. Lindo!
Maçã. Fraiburgo é a terra da maçã, e, depois de visitar essa cidade, você vai sorrir sozinho apenas com a menção do nome dessa fruta. Chá, bolo, torta, salada, maionese, pinga, vinho, shampoo…. Tudo feito de maçã. É como se o ar dessa terra exalasse o aroma da fruta! Pra onde você olha existem maçãs enfeitando as paredes, as mesas… Algumas pessoas não podem mais ver maçã depois de visitar Fraiburgo. Comigo não foi assim.
As pessoas são tão boas e simpáticas. Elas perguntam de onde você é, quando vai voltar, se interessam pela história daquele viajante que é nitidamente um turista em sua terra tão linda. Todos são muito educados em Fraiburgo. E divertidos também. O sotaque fraiburguense chama atenção… E se você é amante de sotaques, irá se apaixonar por todas as palavras pronunciadas com esse sotaque.
Fraiburgo significa terra livre e fortificada. Livre… Foi exatamente como me senti lá. Livre, em meio àquela mata cheia de animaizinhos, àquele céu repleto de nuvens brancas que realmente parecem feitas de algodão, àquele frio que congelava tua alma… Àquele calor que esquentou meu coração seis dias. Seis lindos e cheirosos dias. Que não precisavam ter passado tão rápido.

Aqui, o hotel aonde fiquei hospedada esses dias.

Jan
20

Era a manhã de uma segunda-feira após um feriado prolongado. Em uma casa de tijolinhos vermelhos e jardim bonito, Anna acordou de um sonho bom. Cores, flores, perfumes… Era tudo tão lindo. O dia que a esperava não era tão bonito assim. Era cinzento e havia chuva demais. Ela abriu a sua janela e se deparou com o vento gelado que esfriou a ponta de seu nariz. Sua mãe veio trazer-lhe chocolate quente e então Anna deitou-se novamente. Em alguns segundos havia decidido não mais ir até a faculdade naquele dia chuvoso. Voltou a dormir.
Anna acordou… Dessa vez não se lembrava do sonho. A janela permanecia aberta e ela observava atentamente as gotas da chuva molharem as folhas das árvores. De repente ela se lembrou… Ela não foi até a faculdade hoje! Isso queria dizer que além de perder aulas, ela perdeu aquilo que era o único motivo de felicidade que ela tinha… Murilo. Ela não tinha visto Murilo. Uma sensação ruim tomou seu corpo e ela voltou a deitar. Adormeceu novamente.
E mais uma vez Anna acordou… Sua mãe veio chamar para almoçar. Já era tarde e ela ainda não havia comido nada. Anna disse que iria descer em alguns instantes e então sua mãe saiu de seu quarto. Ela permaneceu deitada pensando em tudo… Nas três provas que a aguardavam naquela semana, na sua inexistente vontade de estudar, de levantar, de trocar de roupa, de respirar.
Algumas lágrimas caíram de seu rosto e ela não pôde levantar para almoçar… Abraçou seu travesseiro e dormiu novamente. Dessa vez trancou a porta de seu quarto.
Final de tarde e a cena se repete… Anna acorda e dessa vez levanta-se e troca de roupa. Lava o rosto sem conhecer muito bem a menina de camiseta pólo que está olhando para ela no espelho. Liga a TV e passa o tempo inútil de sua vida apreciando as pessoas e sua felicidade descartável.
Sua mãe vem chamá-la para almoçar novamente. Anna diz que já vai e termina de ver uma daquelas séries enlatadas norte-americanas. Enfim desce e vai comer.
Ela come tão pouco que teve de mentir para sua mãe que estava com dor de estômago… Na verdade, não sentia vontade de comer nada.
Ela refugiou-se em seu quarto novamente. Nenhuma ligação perdida em seu celular… Murilo nem sentiu sua falta. Voltou a chorar, voltou a deitar, voltou a dormir.
Anna sonhava… Em seu sonho era tudo colorido novamente. Ela estava bem e sorria muito com seus amigos. Murilo estava ao seu lado e eles finalmente se acertaram depois de idas e vindas… Não havia motivo para lágrimas, tudo era riso e alegria. Em seu sonho Anna corria, corria e nunca se cansava.
De repente sua mãe vem chamá-la… E Murilo pede que ela fique… Anna se vê num dilema! Queria ficar com Murilo e com a mãe… Não sabia o que fazer… E então ela finalmente decidiu-se. Anna vai até sua mãe, diz que está cansada demais e decide ir com Murilo. Sua mãe chora arrasada por não poder segurar a filha… E assiste Murilo guiá-la para longe de sua visão.
Sua mãe entra no quarto e vê Anna dormindo novamente. Tenta acordá-la, mas ela não responde. “Anna? Anna! Anna, acorde!”, e nada de Anna acordar. Sua mãe desespera-se, pega o telefone e liga para uma ambulância. Anna está dormindo novamente… Anna dorme para nunca mais acordar.

Jan
18

A culpada sou eu.
Se não ouvisse os sons silenciosos de teu olhar, se não fosse tocada pelas tuas doces palavras, se me camuflasse por trás das grandes e brilhantes folhas verdes daquelas flores que te enchem a visão…
A culpada sou eu.
Procurei motivos para chorar, tu nunca me destes um. Inventei um sentimento, alimentei uma esperança, fiz crescer uma emoção e no fim… Ah! No fim era tudo ilusão.
Por que, céus? Oh, por que não posso tratar-te como todas as outras pessoas? Por que tens que ser tão especial, por que despertas em mim a paixão há tanto tempo adormecida? Será que não vês que sou tua, de corpo e alma? Já não me importa nada quando estás aqui.
Oh, que tolice a minha! Como pude crer que um dia olharias para esta folhagem seca e pálida, incapaz de ser iluminada pelos raios de sol que embelezam ainda mais aquelas flores coloridas que chamam para si todos os olhares? Deveria ter me conformado desde o início com o futuro que me espera. Se desde o início tivesse me escondido por trás das cores, tu nunca terias me visto, e eu jamais teria olhado para ti. Seria só mais uma folha feia, conformada.
E tu apreciarias a flor que quisesses, sem que houvesse o sofrimento sobre o qual escrevo. Tu serias feliz, enquanto eu… Eu ficaria a esperar a morte, seca e miserável, de uma planta que sonhava em ser um dia, flor colorida.

Jan
15

Amor. Anos acreditando que ele existia, e que eu realmente o tinha encontrado. E de repente, as vendas foram-me tiradas sem pedir. Pude ver uma ilusão… Doce ilusão. Eu vivi coisas que jamais pensei que viveria, fui tão intensamente feliz que não sei se essa palavra realmente expressa a felicidade que senti durante todo esse tempo. E você, bom… Você foi a coisa mais linda que eu jamais achei que pudesse existir.
Entrou na minha vida de repente e logo eu me vi preso às garras desse seu amor. Garras que insistiam em me puxar cada vez mais para dentro do seu olhar misterioso e pueril. E eu, sem forças – e nem vontade - de me desvencilhar, fui dominado por ele. Lembro-me do momento em que me dei conta disso. Você não conseguia firmar seu olhar em lugar algum, suas pernas tremiam e eu podia sentí-las quando tocavam as minhas por debaixo da mesa. Pensava no quão difícil você deveria ser. Mal sabia eu que já havia te conquistado.
Talvez nunca tenha te contado, mas você já havia me conquistado também. Aliás, sinto que fui conquistado antes de te conquistar. Falávamos sobre comida, e então você me disse que gostava de comer sucrilhos com leite em pó. Naquele momento eu soube que era você. Tive plena certeza. Pude até mesmo ver nossos filhos, nossa casa… É eu sei, bobeira minha. Mas como você mesma sabe, este sou eu. Um tanto romântico, um pouco mais sonhador.
Comemorava os dias ao seu lado. Era tão bom viver tudo aquilo. Perguntava-me se era merecedor de tamanha felicidade. Não havia nada que eu quisesse mais do que estar com você. Era sempre isso o que eu mais desejava. Cada vez mais e mais momentos ao seu lado. Amava e era amado. Amava…. Era amado?
Você começou a ficar estranha. Não entendia bem o porquê. Achava que era algum problema, e por isso tentei ajudar. Você se esquivava, dizia que não era nada. Eu a respeitei, mesmo sem entender porque não queria compartilhar comigo o que estava fazendo-a agir daquela maneira. E você não me disse nada, apenas continuou com seu jogo de azar.
Passaram-se semanas e semanas e nada de você mudar. Comecei a ficar aflito, já não sabia mais o que fazer. O amor da minha vida estava escorrendo por entre meus dedos e eu não sabia como segurá-lo. Mas não podia apenas assistir àquilo. Claro que não. Tinha que lutar. Só não sabia que lutaria contra você.
Quanto mais eu tentava te trazer pra junto de mim novamente, mais você se afastava. O amor que eu sentia já me machucava mais do que trazia alegrias. Eu pude ver o que estava acontecendo.
Acaba. Pude perceber que o amor acaba. E todas as verdades trancadas tomam o lugar das mentiras que estavam à solta. E eu, infelizmente, fui o primeiro a saber. A mentira do teu amor já me corroía. A verdade dessa dor me fazia mal. Amava e sofria. Porém não conseguia deixar de te amar. Tinha que tomar uma decisão. E a tomei.
Terminei com você, mesmo que ainda te amasse quando o fiz. Mesmo que eu ainda te ame. Mesmo que você não acredite.
Ouvi coisas que jamais pensei que ouviria de você, fui tão intensamente triste que não sei se essa palavra realmente expressa a tristeza que eu senti naquele breve espaço de tempo em que te disse “não dá mais, vamos terminar”. E você… Você foi imprevisível! Parece que sabia tudo o que eu ia falar. Não vi uma lágrima, sua voz não estava chorosa como a minha. Parece que o fim apenas doeu em mim. Dói em mim. Não acreditava no que via. A única coisa que eu pensava era no quão idiota eu fui naqueles últimos anos.
Passou-se um mês. Este foi o tempo que demorou para a sua máscara cair. E então você veio me pedir uma chance. Diz que me ama. Diz que me ama muito e que nem sabe o quanto. Que errou e mais outras coisas tão clichês que poderia dizer que foram retiradas do diálogo de uma novela mexicana. Suas palavras já não me comovem mais, e isso é culpa sua.
Não posso dizer que não te amo, afinal são seus braços que me fazem falta todos os dias, são os seus beijos que eu desejo sempre que vou dormir, é o seu corpo que eu quero que esteja ao meu lado quando acordo. Eu te amo sim, te amo demais. Apenas escolhi não mais viver ao seu lado.
Continuaremos com as nossas vidas, teremos nossos filhos e talvez você nunca me esqueça, como disse pra mim quando me pediu a chance que nunca darei. Talvez eu esteja errado, existem muitos ‘talvez’ ao redor da minha decisão. Porém decidi que não posso mais viver assim. Você escolheu não se dar uma chance. Você escolheu que seria assim. Você achava que podia viver sem mim e quis tentar. Você perdeu. E só agora deu valor…
Sinto muito pelo que poderia ter sido e não foi. E nossos filhos, a nossa casa, todos os nossos planos, as coisas lindas que vivemos e que sonhei viver, estão guardadas na minha mente. Trancadas numa parte das lembranças que agora não quero lembrar, mas que um dia poderei retomar e pensar no quão intensamente feliz eu fui com você durante todos esses anos. Mesmo que eles tenham acabado em apenas alguns segundos, por entre algumas lágrimas minhas e sem protestos seus. Mesmo assim.

Jan
12

Era mais um dia de sol. Teka estava em um ônibus que percorria a avenida da praia, em Santos.

- Você estava olhando pra ela sim, Rodrigo!
- Não, Luciana. Eu não estava olhando pra ela.
- Claro que estava! E aposto que estava pensando no quanto ela é gostosa, não é? Afinal de contas, todas as pessoas dizem isso dela, eu nem vejo nada de mais nela, mas é claro que você viu, não é?
- Pára com  isso! Eu já disse que não estava olhando.
- Mas você acha a Bruna gostosa, não acha? – Luciana pergunta, ansiosa pela resposta. Na verdade, ela sabia que ele ia responder sim, mas ainda tinha esperança de estar errada. Muita esperança.
- Claro, ela é gostosa sim. Satisfeita? -Rodrigo responde com a maior calma e cinismo do mundo.
- Eu não acredito nisso!

Luciana faz sinal para o ônibus parar e desce em um ponto qualquer. Longe do cinema para onde ela e o namorado Rodrigo estavam indo. Luciana se sentia cansada. Ela olhou pra trás e viu que Rodrigo não havia descido com ela. “Legal! Bem legal, Rodrigo.”, ela pensa.

Luciana tem 19 anos. Mas aparenta menos. Os vários anos de ballet conservaram seu corpo de uma menina de 10 anos de idade. Ela sentia uma pontinha de inveja das curvas das suas amigas, e vivia dizendo que quando crescesse e fosse uma professora de sucesso ela colocaria silicone nos seios. Era seu maior sonho, e ela não tinha vergonha disso. Odiava seu corpo “de menino” e faria de tudo para mudá-lo. Era por isso que sentia tanto ciúme dos olhares de seu namorado.
Rodrigo tem 21 anos e é modelo. É um rapaz muito bonito e dentre todas as suas companheiras de profissão e tantas outras garotas lindas – e que davam em cima dele - do mundo, ele escolheu a ”magrinha dos pequenos olhos sem cor definida”. Às vezes eram verdes, às vezes azuis, e ele adorava mergulhar naquele olhar e tentar desvendar a cor daqueles olhos todos os dias. Rodrigo amava Luciana, amava muito. Mas a insegurança dela o deixava um pouco chateado. Claro, ele não sabia como era estar na pele dela. Ele era lindo e chamava atenção de todos – e todas, para a infelicidade de sua namorada.

Rodrigo continuava sentado no ônibus, bufando a cada minuto. Não era a primeira vez que Luciana fazia isso, e certamente não seria a última. Rodrigo estava exausto. Ele não iria correr atrás dela e de suas infantilidades mais uma vez. “Eu não a entendo. Ela ouviu o que ela queria ouvir, oras!”, pensava. E o lugar aonde Luciana havia descido se distanciava cada vez mais… Até que ele resolveu descer. Fez sinal e desceu do ônibus. Teria que andar um pouco, mas sentia falta daquela tonta que ele tanto amava.

***

O ônibus continuou com seu caminho e Teka começou a rir e a chorar ao mesmo tempo. Ela fazia isso discretamente, pois tinha medo do que todas aquelas pessoas iriam pensar se a vissem rindo e chorando sozinha. Mas ela ria! Ria porque era nítido o quanto os dois se amavam. E ela chorava de saudades do tempo em que ela mesma protagonizava cenas assim com seu namorado…
Teka olhou para o relógio. Eram 15h13. O sinal havia acabado de fechar e ela não queria olhar o relógio mais uma vez.

Jan
09

O royal do céu foi embora. Nuvens cinzas dominam o espaço que antes era ocupado pelas mais diversas cores. O vento arrasta-me para casa e penteia meus cabelos ao seu bel-prazer. Eu apenas sorrio. Estou feliz com o toque suave do vento em minha face, antes acinzentada como o céu.
Pequenas gotas começam a cair. Gotas que molham meus lábios e fazem-me sentir o gosto da esperança. Misturadas com minhas lágrimas, libertam-me da dor que sinto todo o tempo. Está chovendo.
Caminho vagarosamente. Aprecio cada gota que escorre pelo meu corpo e limpa todas as feridas existentes. Sou apenas mais uma menina na rua. Uma menina sem guarda-chuva.
Objetos coloridos conduzem as mais diversas pessoas. Meu olhar estuda todas, te procuro em todas elas… Mas nenhum guarda-chuva está com você.
Uma expressão triste paira sobre mim durante alguns instantes. Eu penso, e logo um sorriso toma conta de meu rosto. Então eu sigo caminhando. Refrescando sentimentos e limpando a alma com a chuva que cai do céu.

Jan
09

A minha versão de um dos poemas que eu mais gosto: José - Carlos Drummond de Andrade.

E agora, Manu?
O sonho acabou,
a alegria sumiu,
o medo voltou,
a esperança partiu,
e agora, Manu?
e agora, Você?
Você que tem nome,
que zomba de mim,
que canta meus sonhos,
que ama (ama?), se importa (se importa?)?
e agora, Manu?

Está sem coração,
ainda tem seus amigos,
mas está sem sorrisos.
Ainda pode beber,
ainda pode fumar,
chorar já não pode,
o dia esfriou,
a chuva não veio,
mas o pranto chegou.
A vida não veio,
não veio a mentira
e tudo acabou
e tudo sumiu
e tudo estragou,
e você permitiu…
e agora, Manu?

E agora, Manu?
só tem palavras amargas,
e risos sutis,
você vive em jejum,
e já não sabe o que diz.
Sua alegria contagiante,
sua risada inconfundível,
sua incoerência,
seu amor, – e agora?

Com o coração na mão 
quer fechar a porta,
não existe porta;
quer morrer de chorar,
mas a lágrima secou;
quer ir para qualquer lugar,
quer fugir, se esconder.
Manu, e agora?

Se você gritasse,
se você parasse,
se você dissesse,
as coisas que já não agüenta mais,
se você dormisse,
se você morresse!
Se você morresse….
Mas você não morre,
você é forte, Manu!

Sozinha no escuro
qual garota perdida,
sem alguma utopia,
sem sonhos secretos
para se encostar,
sem asas escondidas
que fujam da escuridão,
você caminha, Manu!
Manu, para onde?

Jan
09

“Since she left me
She told me
Don’t worry
You’ll be ok, you don’t need me
Believe me, you’ll be fine”

*She Left Me – McFly

- E como ele pôde fazer isso com você? Vocês têm um filho juntos! Um filho grande, forte, sadio! Como ele pôde deixá-la? – pergunta Carol, preocupada com a amiga que estava quieta, em estado de choque.
- Eu… Eu não sei. Eu não sei!

Mariana começa a chorar.

***

Há 18 anos atrás eles se conheceram. Amaram-se, casaram-se e tiveram um filho. O casamento deles era uma eterna lua de mel. Eles tinham suas brigas… Mas as pazes eram maravilhosas, e sempre acabava tudo bem. Ou pelo menos, era assim que Mariana pensava. A vida que eles levavam era a vida de um casal de namorados que acabara de se conhecer. E Mariana era imensamente feliz, cuidando de sua casa e de suas duas vidas, os dois pedacinhos dela mesma que andavam por aí: seu filho Lucas e seu marido, Daniel. Até que um dia, sem motivo algum, Daniel disse que precisava conversar com ela.

***

Mariana ainda não havia digerido aquela notícia. Ela achava que tudo aquilo era uma grande mentira, e que quando ela acordasse veria que nada havia mudado. Mas todas as pessoas ligando para sua casa e dizendo coisas horríveis, faziam com que a sua esperança diminuísse cada vez mais…

***

- Mari, eu tenho que te contar uma coisa… E eu vou dizer rápido porque eu não quero fazê-la sofrer. – começa Daniel, esfregando as mãos e não conseguindo sustentar seu olhar.
- Então diga logo! Você está me preocupando mais! – Mariana sequer pensou na hipótese de ele ter um caso ou coisa parecida… Ela achava que era algo com dinheiro, ou sobre Lucas.
- Eu estou tendo um caso com uma pessoa do meu trabalho já faz algum tempo e eu vou me separar de você. Mas fique tranqüila, o Lucas ficará com você e eu continuarei arcando com as minhas responsabilidades de pai.

***

“Daniel está demorando pra chegar e a bateria de seu celular deve ter terminado. Caramba, ele não podia ligar pra casa?” Mariana pensava enquanto andava de um lado para o outro. Decidiu acompanhar Lucas, que estava vendo um desenho animado. O telefone toca e ela corre para atender.

- Mariana, eu acabei de chegar aqui no restaurante e estou vendo o Daniel sentado com uma mulher… Ele te falou algo? – Luísa, sua amiga de infância liga para ela horas antes daquele fatídico diálogo.
- Ah, deve ser alguma amiga dele do trabalho, Luísa. Mas obrigada por ligar. Estava mesmo preocupada com ele e o celular dele está desligado, deve ter acabado a bateria.

E Mariana voltou a assistir o desenho com seu filho.

***

- Bom, tudo bem. Eu… Eu tenho que ir agora, está na hora de levar o Lucas na escola e eu fiquei de passar na casa da Carol. Até mais tarde!
- Mariana… Não haverá mais tarde. Eu estou indo embora de casa hoje…  E não voltarei mais a morar aqui. Amanhã venho para explicar tudo para o Lucas. – diz Daniel, tentando ser o mais sutil possível.
- Tá, tudo bem… Escuta, eu tenho mesmo que ir.

Mari sai o mais rápido possível da sala e pega Lucas, para levá-lo até a escola. Ela não diz nada o caminho inteiro. E Lucas estava preocupado demais em desvendar as formas das nuvens do céu para reparar em alguma coisa. Ele tinha apenas 09 anos. E veria seu pai sair de casa nos próximos dias…

- Tchau, mãe. Te amo! – Lucas beija o rosto da mãe e sai correndo até a porta da escola.
- Tchau, filho. Mamãe te ama muito também. – Mariana diz, com uma dor no coração, pensando em tudo o que tinha acontecido.

Mariana liga para Carol ainda na porta da escola e diz que vai na casa dela naquele momento porque necessita da amiga. Carol concorda e fica pensando no que Mari pode ter para lhe dizer.

***

Mari chega até a casa de Carol e lhe conta tudo o que aconteceu. Todos os detalhes, como elas costumavam fazer sempre, na época da escola. E Carol também não acreditou.

- Sabe, eu devo estar dentro de um pesadelo horrível. Isso tudo deve acabar daqui a algum tempo e eu ainda vou ver Daniel indo me acordar com um beijo na testa dizendo que só estava me vendo dormir… Ou vou brigar com ele pela mania incorrigível que ele tem de comer depressa e nos deixar sozinhos na mesa… Eu… Eu não posso acreditar que tudo isso acabou! Ele só pode estar brincando. – Mariana falava e sua voz ficava trêmula em alguns momentos… mas ela se segurava para não chorar. Se isso acontecesse, não seria a primeira vez que Carol a veria chorando.
- Mari… Eu não sei o que te dizer. Eu acho que você tem que se preparar para o pior. Eu conheço o Dani e eu sei que ele não diria isso sem um motivo. Ainda mais uma coisa tão grave assim… Afinal de contas ele te ama e… – A amiga percebe o que acabou de dizer.
Mariana ri ironicamente.
- Sim, ele me ama! Nossa, como ele me ama. Ele me repetiu isso inúmeras vezes, mas teve um caso? E agora está me deixando com nosso filho? Realmente, é muito amor.

Fica um silêncio entre as duas e lágrimas silenciosas começam a rompê-lo. 

- Como ele pôde fazer isso com você? Vocês têm um filho juntos! Você o ama! Têm um filho grande, forte, sadio! Como ele pôde deixá-la? – pergunta Carol, preocupada com a amiga que estava quieta, em estado de choque.
- Eu… Eu não sei. Eu não sei!

Mariana começa a chorar.

Chorava desejando que tudo isso fosse mentira. Desejando que aquele dia nunca tivesse existido. Desejando se acabar em lágrimas e nunca mais precisar acordar para enfrentar a cama vazia todas as manhãs…
Mas, não pela primeira vez, seus desejos não iriam se realizar.

Jan
08

Ano novo, vida nova… Blog novo.

2007 foi um bom ano. Começou com um janeiro encharcado por lágrimas que pareciam não querer secar nunca. Depois veio fevereiro, pintado com a tinta de veteranos sangüinários que aproveitaram-se da inexperiência de uma pequena menina que foi logo chamada de bixete. Chegamos em março com brigas e desentendimentos dignos de um seriado norte-americano… Ou uma novela mexicana mesmo. Pelo menos, as lágrimas de janeiro já tinham secado. Abril chegou e trouxe com ele uma paixão que parecia perfeita demais para ser verdade. O mês de maio provou que abril estava certo e demos férias para qualquer tipo de emoção mais forte. Junho foi o mês mais bem-resolvido de todos, poderia chamá-lo de mês “tô de boa Unisantos”. Meus 18 anos vieram com muitas novidades antigas. Muitas caminhadas, muita música, novos amigos e velhos amores. As melhores férias depois de muito tempo. Não acreditei que agosto chegou tão rápido, com todas aquelas matérias de novo! Eu estava tão acostumada com as férias… Mas agosto chegou com o uno, para animar as manhãs cinzentas daquele prédio pixado aonde estudo. Setembro costuma ser um mês tranqüilo… E em 2007 não foi diferente. Se houvesse uma trilha sonora eu diria que setembro foi o mês das “love songs”. Ao passo que em outubro “desencane” ganhou meu coração de maneira quase irrefreável. Novembro… Novembro chegou tão rápido que nem percebi a mudança de mês. Ainda estava me acostumando com todas as mudanças do ano quando reparei que ele já estava acabando. Novembro foi… Novembro! E a intensidade com que as coisas boas aconteceram nesse mês, me preparou para todas as coisas boas de dezembro, que foi o melhor mês do ano. Dezembro chegou com risos, alegria, e alguns poucos momentos de choros que não poderiam deixar de existir. Dezembro me deu esperança para pedir um 2008 melhor! Um 2008 muito melhor do que o 2007 perfeito que deixei partir com um aperto no coração…

2008 vai ser um ano bom. E eu vou fazer de tudo para que isso seja realmente verdade.

- Bom, meu nome é Manoela e este é meu novo blog. Com o tempo você se acostuma comigo. E aprende que tudo o que escrevo tem um significado além do que está aparente.